“Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas; estava grávida e gritava, entre as dores do parto, atormentada para dar a luz... Ela deu à luz um filho, um varão, que regerá todas as nações com cetro de ferro.” (Ap 12, 1-2.5)
Maria sempre é lembrada nesta leitura do Livro do Apocalipse, primeiro por estar revestida de Deus (sol e lua), depois por reinar (coroa) entre os eleitos de Deus (doze representa a humanidade), mas sobretudo, por estar, a Mulher, grávida de um filho varão que governará todas as nações. E, é neste ponto que esta leitura nos convoca a um olhar mais específico.
A Mulher está atormentada para dar à luz, mas que grande alegria quando nasce seu filho! Ele é forte e é rei! Aprendemos desta Mulher que para viver o tempo da alegria foi preciso antes passar pela tormenta, sofrer as dores de parto. E Maria não foi diferente, ela transformou a dor em alegria! E pudemos celebrar então a Encarnação de Deus entre nós, Natal!
Notemos bem: Jesus nasce entre nós a partir do momento em que, assim como Maria, nos disponibilizamos (FIAT: sim) a fazê-lo nascer para este mundo, nos entregamos ao tempo de vencer a dor e transformá-la em alegria. Assim o projeto de Deus acontecerá: à medida em que mais e mais pessoas se tornarem fecundos neste amor divino e enfrentarem as tormentas necessárias para que ele veja a luz.
Descobrimos com isso que todo tempo é tempo de natal. E que toda pessoa, seja mulher, homem ou criança, de qualquer tempo e de qualquer lugar, pode e deve simbolizar esta Mulher do Livro do Apocalipse. Bem-aventurados serão os que assim procederem, assim como bem-aventurada é Maria!
Celebramos o natal quando transformamos a dor dos aflitos em alegria pelo consolo. Quando transformamos a fome e sede de justiça de muitos irmãos que choram e clamam pelo mundo afora em alegria de saciedade, partilha e fartura. Celebramos o natal quando amamos! O amor é a força que transforma.
Maria muito amou e transformou a dor em alegria. Jesus muito amou e transformou a morte em ressurreição. Este poder de transformação agora está conosco! Que tenhamos a coragem de assumí-lo e celebrar então um natal como verdadeiramente convém a cristãos.
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