“Que o livro desta lei esteja sempre nos teus lábios: medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de agir de acordo com tudo que está escrito nele. Assim serás bem sucedido nas tuas realizações e alcançaras êxito. Não te ordenei: Sê firme e corajoso? Não temas e não te apavores, porque o Senhor teu Deus está contigo por onde quer que andes.” (Js 1,8s)
Assim Deus fala a Josué, o novo líder do povo de Deus depois da morte de Moisés. Quantas incertezas para enfrentar, mas a ordem é precisa: meditar a Palavra dia e noite e agir de acordo com Ela, lançar fora os medos porque Ele estará sempre Presente. Este trecho das Sagradas Escrituras já prefigurava a Verdade do Prólogo do Evangelho de São João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,14) O Verbo, a Palavra se fez criança para ser compreendida por nós... A Palavra hoje tem um rosto: Jesus de Nazaré!
Meditar a Palavra é ir ao encontro de um Deus Criador e Infinito que se fez criatura e limitada pelo tempo para se aproximar, por amor, de cada um de nós. Meditar a Palavra e a pôr em prática é responder a esse Deus de Amor que supera as distâncias e desigualdades para nos fazer próximos e destinatários da Aliança matrimonial entre Cristo e nós, a Igreja. Meditar a Palavra é dialogar com Deus! E é através deste diálogo que “compreendemo-nos a nós mesmos e encontramos respostas para as perguntas mais profundas que habitam no nosso coração”.
Num tempo de valorização exacerbada do ter, do poder e sobretudo do prazer, num tempo de relativismo e individualismo gritantes, o quanto é importante despertar no homem a consciência de destinatário deste Amor, mesmo porque todas as realizações do mundo são completamente incapazes de realizar as aspirações mais profundas do coração do homem. E é exatamente pela Palavra que se consegue este despertar! As Sagradas Escrituras contém palavras que resignificam a vida, pois devolvem ao homem a dignidade que lhe é própria: “ A todos que o receberam (O Verbo, A Palavra) deu o poder de se tornarem filhos de Deus.” (Jo 1,12) Somos filhos de Deus!
Exatamente para que as ovelhas reencontrem o caminho de volta para casa, para que resgatem seu valor de filhos, para que despertem de um sono letárgico, o seu pastor terreno, o Papa Bento XVI reuniu em sua “Exortação Apostólica Pós-Sinodal , Verbum Domini” todos os passos necessários para percorrermos rumo ao Eterno. Nela encontramos as propostas (sempre propostas e nunca imposições) e orientações para revalorizarmos a Palavra Divina em nossas vidas e na missão da Igreja.
A Verbum Domini traz como primeiro passo a ser seguido por nós, esta constatação da Presença de Deus na origem e na fonte da Palavra. E ao Deus que fala, o homem deve responder com a fé. O silêncio da escuta adicionado a prática harmonica entre o que se acredita e o que se vive, testemunho.
O segundo passo é de extrema importância na atualidade, resgatar a Liturgia como lugar privilegiado da Palavra de Deus. Tudo hoje é de “extrema urgência”, vemos pessoas, carros, situações se atropelando pela questão da “pressa”. E tudo é executado, porém nem sempre refletido. Tranferimos também este caos para nosso interior e nos movemos com correria também no que diz respeito a nossa espiritualidade. E o tempo da reflexão, da sacramentalidade, da ritualidade da vida? O resgate da Liturgia e o valor que devemos dar a ela, nos fará pôr freio em situações que não devem continuar, mas também acelerará algumas que já a muito tempo precisam de impulso. Para exemplificar, é inconcebível que a Palavra de Deus seja tratada com tamanho descaso por tantos, sejam estes cristãos ou não, e independete do contexto (de celebração, oração particular, encontros, homilias, canto...) . Do mesmo modo, também é inconcebível um cristão que não esteja pronto a “dar razão da sua esperança.” A catequese e a formação cristãs devem iniciar com a liturgia doméstica e se completar na Celebração Eucarística.
O terceiro passo nos relembra que se somos filhos, também temos irmãos e devemos ir até eles não com uma mensagem “anestesiante mas desinstaladora, que chama à conversão e que torna acessível o encontro pessoal com Jesus Cristo”.
E, se percorrermos os primeiros passos, mas não chegarmos ao terceiro, teremos edificado sobre a areia. É dever de todo cristão familiarizar-se com a Palavra de Deus para anunciá-la com ousadia profética, audácia pentescostal e sobretudo com confiança plena na força e na Ação do Espírito Santo de Deus.
domingo, 9 de janeiro de 2011
TRANSFORMAR A DOR EM ALEGRIA
“Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas; estava grávida e gritava, entre as dores do parto, atormentada para dar a luz... Ela deu à luz um filho, um varão, que regerá todas as nações com cetro de ferro.” (Ap 12, 1-2.5)
Maria sempre é lembrada nesta leitura do Livro do Apocalipse, primeiro por estar revestida de Deus (sol e lua), depois por reinar (coroa) entre os eleitos de Deus (doze representa a humanidade), mas sobretudo, por estar, a Mulher, grávida de um filho varão que governará todas as nações. E, é neste ponto que esta leitura nos convoca a um olhar mais específico.
A Mulher está atormentada para dar à luz, mas que grande alegria quando nasce seu filho! Ele é forte e é rei! Aprendemos desta Mulher que para viver o tempo da alegria foi preciso antes passar pela tormenta, sofrer as dores de parto. E Maria não foi diferente, ela transformou a dor em alegria! E pudemos celebrar então a Encarnação de Deus entre nós, Natal!
Notemos bem: Jesus nasce entre nós a partir do momento em que, assim como Maria, nos disponibilizamos (FIAT: sim) a fazê-lo nascer para este mundo, nos entregamos ao tempo de vencer a dor e transformá-la em alegria. Assim o projeto de Deus acontecerá: à medida em que mais e mais pessoas se tornarem fecundos neste amor divino e enfrentarem as tormentas necessárias para que ele veja a luz.
Descobrimos com isso que todo tempo é tempo de natal. E que toda pessoa, seja mulher, homem ou criança, de qualquer tempo e de qualquer lugar, pode e deve simbolizar esta Mulher do Livro do Apocalipse. Bem-aventurados serão os que assim procederem, assim como bem-aventurada é Maria!
Celebramos o natal quando transformamos a dor dos aflitos em alegria pelo consolo. Quando transformamos a fome e sede de justiça de muitos irmãos que choram e clamam pelo mundo afora em alegria de saciedade, partilha e fartura. Celebramos o natal quando amamos! O amor é a força que transforma.
Maria muito amou e transformou a dor em alegria. Jesus muito amou e transformou a morte em ressurreição. Este poder de transformação agora está conosco! Que tenhamos a coragem de assumí-lo e celebrar então um natal como verdadeiramente convém a cristãos.
Maria sempre é lembrada nesta leitura do Livro do Apocalipse, primeiro por estar revestida de Deus (sol e lua), depois por reinar (coroa) entre os eleitos de Deus (doze representa a humanidade), mas sobretudo, por estar, a Mulher, grávida de um filho varão que governará todas as nações. E, é neste ponto que esta leitura nos convoca a um olhar mais específico.
A Mulher está atormentada para dar à luz, mas que grande alegria quando nasce seu filho! Ele é forte e é rei! Aprendemos desta Mulher que para viver o tempo da alegria foi preciso antes passar pela tormenta, sofrer as dores de parto. E Maria não foi diferente, ela transformou a dor em alegria! E pudemos celebrar então a Encarnação de Deus entre nós, Natal!
Notemos bem: Jesus nasce entre nós a partir do momento em que, assim como Maria, nos disponibilizamos (FIAT: sim) a fazê-lo nascer para este mundo, nos entregamos ao tempo de vencer a dor e transformá-la em alegria. Assim o projeto de Deus acontecerá: à medida em que mais e mais pessoas se tornarem fecundos neste amor divino e enfrentarem as tormentas necessárias para que ele veja a luz.
Descobrimos com isso que todo tempo é tempo de natal. E que toda pessoa, seja mulher, homem ou criança, de qualquer tempo e de qualquer lugar, pode e deve simbolizar esta Mulher do Livro do Apocalipse. Bem-aventurados serão os que assim procederem, assim como bem-aventurada é Maria!
Celebramos o natal quando transformamos a dor dos aflitos em alegria pelo consolo. Quando transformamos a fome e sede de justiça de muitos irmãos que choram e clamam pelo mundo afora em alegria de saciedade, partilha e fartura. Celebramos o natal quando amamos! O amor é a força que transforma.
Maria muito amou e transformou a dor em alegria. Jesus muito amou e transformou a morte em ressurreição. Este poder de transformação agora está conosco! Que tenhamos a coragem de assumí-lo e celebrar então um natal como verdadeiramente convém a cristãos.
Assinar:
Postagens (Atom)