Dos pequeninos sempre nos lembramos em outubro. Um trecho da Palavra nos diz da importância deles para o Reino de Deus: “Deixai as criancinhas virem a mim e não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus.” (Lc 18, 16) E logo no versículo seguinte nos recordamos dos professores, também saudados neste mês: “Em verdade vos digo, aquele que não receber o Reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele.” (Lc 18, 17) A lembrança dos mestres está justamente no aprendizado que devemos ter com as crianças: são elas que possuem o conhecimento do caminho do Reino.
Pensar na criança nos remete à delicadeza, ingenuidade, curiosidade, sapequice, sorriso, gargalhada... Para traduzir tudo isso: pureza! “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5,8)
À criança pertence o Reino, o conhecimento do caminho para chegar até lá e ainda mais, a pureza que proporciona a contemplação da Face do Senhor. “ Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos.” (Lc 10,21)
O olhar desperto de uma criança diante de algo novo e surpreendente, a alegria expressa no sorriso ao poder brincar, a abertura e a seriedade ao aprender, a humildade e facilidade em pedir perdão nas horas das travessuras, e sobretudo a entrega inteira, confiante e intensa na aventura de viver e crescer...
Acredito que o grande mistério está em crescer sem perder estas características tão fundamentais para um ser humano a caminho do Reino.
Jesus podia ver, mesmo que estivesse bem lá no fundo, a criança teimosa ao olhar para Pedro, a criança inquieta ao olhar para João, a moleca travessa escondida nas marcas de sofrimento de Maria Madalena e o garotinho arteiro no grande homem Paulo.
Despertar a criança em nós... despertar a criança no outro! Deixar vir a tona nosso estado inicial que nos impulsiona para um novo nascimento, um nascer do alto, que nos reeduca para o amor, para o essencial, para o simples, para o puro que faz com tenhamos a ingenuidade necessária, e não alienante, para acreditar que o mundo pode e deve ser transformado a partir das nossas atitudes.
E mesmo quando tudo parecer que não está dando certo, poder sentar, chorar e sentir o afago gostoso e carinhoso de um Deus que é Pai e Mãe. E, num instante, já estar pronto novamente para seguir em missão.
Missão esta que está representada pela vida de Jesus, o Filho! Àquele que se fez criança, que despertou em nós o desejo de ser criança e que voltou para os braços do Pai como um exemplo de Homem que enfrentou toda luta sem perder a doçura própria e característica de uma criança.